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sábado, 21 de junho de 2014

O último dia

Hoje foi nosso último dia em Lima. 

O último dia é um dia esquisito. Embora tenha sido, ainda, uma correria só - apesar de inúmeras tentativas só conseguimos cancelar cartões e contas hoje! - passei o dia inteiro com uma sensação estranha.

Há dias estamos numa agitação sem fim. A mudança deu um trabalho enorme, pois como estamos saindo para um lugar onde viveremos em um apartamento menor, tivemos de nos desfazer de muita coisa. Levamos um tempo inacreditável para separar o que ia para o lixo (papéis, estudos, contas velhas, recibos... como a gente junta papel!!), o que ia para doação (roupas de cama, de banho, nossas roupas, sapatos, malas, material de escritório, raquete de tênis, ventilador, desumidificador, e por aí vai...), e o que íamos levar! 

Depois veio a correria da mudança, mesmo - empacotar a casa, a vida... e despachar tudo com aquela sensação de "tomara que chegue tudo inteiro!"... E agora, no final, a correria para encerrar as contas de banco, de TV a cabo, de celular... (e, nesse ponto, a dica master que eu deixo para quem mora em Lima é: faça com um mês de antecedência). Parece inacreditável, mas todas as informações que recebemos - à exceção da empresa de TV a cabo - estavam erradas. Todos os procedimentos que nos foram passados de início, ao questionarmos como fazer e quanto tempo levaria para encerrar o cartão, a conta no banco, o celular, estavam errados. Resultado: foi uma luta sem fim, e ainda sairemos daqui sem conseguir comprovantes de quitação de várias coisas - o que, dada a qualidade miserável das informações que nos foram prestadas, pode ser indício de um problema ainda maior!

Talvez por isso, outro dia quando minhas amigas me perguntaram se eu estava triste por estar indo embora daqui, eu disse que não! Estava tão irritada porque nenhuma informação era passada corretamente, porque faltava apenas 3 dias para eu sair do País e não tinha conseguido encerrar nenhuma conta, que o que eu mais queria era ir embora daqui!

Mas, fato é que, quando a gente vive tanto tempo em um lugar, e é feliz nesse lugar, não tem como não se sentir triste ao sair. E, talvez pela irritação dessa semana, só tenha me dado conta disso hoje. 

O dia foi todo esquisito... um misto de saudade, ansiedade, alegria, melancolia... 

Lima me deu coisas incríveis! Fiz amigos que vou levar para a vida inteira. Vivi muito bem, numa casa linda, com uma vista incrível, cada pôr do sol mais sensacional que o outro... e podia dormir toda noite ouvindo o barulho do mar. Impagável. Conheci lugares lindos e super diferentes. Comi como uma rainha. Vi muita cor (apesar do clima limenho) e me diverti bastante. Embora também tenha passado por alguns momentos muito tristes aqui, no final das contas saio apenas com as boas lembranças e com os presentes que ganhei da vida.

Assim, fui feliz aqui e por isso é normal a tristeza da despedida.

Agora é vida nova. Desafios novos, casa nova, país novo, começar tudo de novo. Com tanta novidade, não pode ser ruim! Será maravilhoso! Disso tenho certeza absoluta. Hoje, nada me preocupa. Só tenho a agradecer e continuar sendo feliz!

Gracias Lima! Adiós!

London, here we go!

Beijos,
Tila.

PS: provavelmente vou fazer um novo blog, com nome novo, aproveitando o ritmo e clima de mudanças. Aviso assim que ele estiver "de pé"!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Saudade do que ainda não se foi

Já ouviu falar de saudade antecipada?

Pois é... eu sofro desse mal... Tem gente que sofre do mal de sofrer por antecedência. No meu caso não é exatamente um sofrer... é mais uma saudade, mesmo... Sentir falta, ou saber que no futuro, vai sentir falta!

Coisa de maluco, né?

Pois é... hoje eu estou com saudades do sol daqui de Lima. O dia esteve lindo! Sol o tempo todo, um dia muito bonito, embora o vento já esteja mudando, ficando mais friozinho... Passei o dia de moletom...

E agora há pouco eu fiz uma caneca de chá, e fui sentar na varanda para apreciar o sol indo dormir... já chegou a hora em que a gente não sabe se ele vai aparecer no dia seguinte... se está se despedindo para só voltar daqui há uns meses...

Os espetáculos de pôr-do-sol desse ano não foram tão lindos como os do ano passado... Não tivemos céu coloridíssimo com a frequência que rolou no ano passado... Não tivemos as nuvens deslizando pelo céu laranja ou roxo, como tivemos nos outros anos... 

Esse ano sol, mar e nuvens estavam preguiçosos... mas mesmo assim já estou com saudades deles.

Mas mesmo assim, eles farão muita falta daqui a um mês, quando só nos restar a lembrança deles, num emaranhado de nuvens brancas que vêm para nos carregar para o inverno molhado daqui de Lima.

Aproveitei para tirar umas fotinhos do fim da tarde (esqueci de tirar durante o dia!), para deixar registrado. Afinal, a gente nunca sabe qual será a última tarde de pôr-do-sol antes do inverno branco.







Beijos,
Tila.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Carnívoros em Lima

Quando viemos para Lima já sabíamos que teríamos saudades das churrascarias como temos no Brasil (marido é super carnívoro e eu mesma adooooro um churrasco!). A grande variedade da culinária peruana, no entanto, compensava tudo isso.

Mas, é claro que depois de um tempo sem o churrasco nosso de cada dia, a gente fica com saudades.

Embora não tenhamos encontrado nenhuma churrascaria no sistema de rodízio aqui em Lima, há boas casas que fazem uma carne deliciosa, e nos permite matar esses desejos primitivos!

O primeiro lugar em que fomos comer uma parrillada foi num restaurante chamado Rincon Gaucho. Ficava aqui em Miraflores, pertinho do Larcomar, mas mudou de lugar e agora está em Barranco (pertinho, também - Av. Grau, 1540). O lugar tem um jeitão gaucho, mesmo, com cortes de carne muito bons e bem servidos (vários cortes servem bem duas pessoas). Tem um chimi churri deliciosos, e o preço é razoável, também. Vale a pena a visita!

Depois fomo ao La Tranquera - adorei o nome! Rs... (tranquera aqui é porteira... de toda forma, divertido, né?). O restaurante fica ao lado da nossa agência bancária e eu tinha uma vontade doida de conhecer - toda vez que ia no banco aquele cheirinho de churrasco me dava uma fome incontrolável! Gostei muito das carnes. Muito bem servidas, com opções americanas e argentinas. Nós fomos nas carnes dos hermanos - comemos um ojo de bife delicioso! Fica aqui em Miraflores (Av. José Pardo, 285) e também tem uma boa relação custo benefício (e aí, você tem de considerar que aqui carne não é como peixe ou frango, quer dizer, vai ser um pouco mais caro, mas não estou falando caro como em SP, ok?!).

Hoje nós voltamos em um outro restaurante de carnes que conhecemos e que é o preferido do marido. Chama-se Carnal, fica aqui em Miraflores, em frente à Huaca (Calle Elias Aguirre, 698). O lugar é bem mais refinado que os outros - que realmente se parece com restaurantes gaúchos, um clima de churrascaria brasileira, mesmo... sem os espetos rodando pelo salão. O Carnal é mais sofisticado. Decoração bem bacana, de bom gosto, com uma vista legal para a Huaca. Carta de vinhos de respeito, cardápio de sobremesas de deixar qualquer um na dúvida (tem uma french toast com syroup e sorvete de canela dos deuses (fotinho abaixo)! além de um bolinho de chocolate quente com sorvete de creme, também, delicioso!!).

Os cortes são americanos e se você pedir uma entradinha para compartir (hoje pedimos um steak tartar, da outra vez que fomos pedimos um trio de mini hamburguers), um dos cortes de cerca de 500gr. é suficiente para duas pessoas - desde que não sejam dois esfomeados (vale dizer, dá para um casal dividir o corte). De toda forma, ao lado dos cortes há indicação do peso, o que facilita um pouco.  As fotos são da outra que vez que fomos (e exageramos porque foi um corte de carne para cada um).





Todos os cortes acompanham um molho ou manteiga  especial (com gostinho de alho, ou blue cheese, dentre outras) à escolha do cliente, além de um acompanhamento (batatas fritas, onion rings, batatas fritas trufadas, vegetais grelhados, etc.). Além dos cortes há saladas, sanduíches (essencialmente burguers, mas outros também), além de pratos especiais - além de cortes de carne com acompanhamento, também há peixes (menos opções, claro, mas há). O preço é o mais salgado de todos os três restaurantes de carnes que fomos (hoje, pedimos entrada, um corte de carne e sobremesa, e a conta deu cerca de S./200,00 - cerca de R$ 160,00). De todo modo, é realmente delicioso.

Pronto, agora, quando você vier à Lima, se estiver tendo crise de abstinência e doido para comer uma boa carne, aí estão minhas sugestões! ;)

Beijos!
Tila. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dois anos passam rápido

Nossa... como o tempo passa rápido...

Quantas vezes a gente diz isso? Sempre que a gente faz aniversário... Todo fim de ano... Quando pensamos em quanto tempo faz que saímos da escola... ou da faculdade...

Várias vezes, por ano a gente para e pensa: "nooooossa... passa muito rápido, mesmo!"

Uma vez eu ouvi no rádio uma reportagem interessante. Eles comentavam que nós precisamos sempre fazer coisas além daquilo que fazemos todos os dias... e mesmo as tarefas habituais, devemos fazer de maneiras diferentes, sempre que pudermos. Por exemplo, fazer um caminho diferente para o trabalho, pelo menos uma vez por semana (ok... pra quem fica duas horas no trânsito em SP isso talvez seja um desafio...). Pode ser algo simples, também, como alterar a ordem em que a gente se arruma de manhã, antes de trabalhar... por exemplo, se você sempre toma banho e depois toma café, trocar... primeiro tomar café e depois tomar banho... Tendeu?

A ideia é que, quando agimos sempre da mesma forma, nosso cérebro se acostuma e começa a fazer tudo no "automático". Com isso a gente não percebe mais os detalhes do que faz, presta menos atenção, e o cérebro praticamente não registra a passagem do tempo. Quando a gente vê o dia acabou...

Tudo isso elevado à terceira, quinta, décima potência, ao longo do dia, das semanas, dos meses... o tempo parece passar cada vez mais rápido - proporcionalmente à quantidade de coisas que fazemos, diariamente, no "automático".

Achei super interessante a ideia e sempre que posso (e me lembro), tento fazer as coisas fora da ordem... No mínimo, as coisas ficam diferentes! ;)

Bom... tudo isso pra dizer que ontem fez dois anos que chegamos em Lima, para morar!

Passou rápido demais!! E não é só nossa essa impressão: semana passada encontramos primos e amigos aqui em Lima e todo mundo repetiu isso quando dissemos que já estávamos aqui há tanto tempo!

O melhor de tudo, é que a gente está curtindo bastante - acho que se a gente não estivesse gostando, talvez a percepção do tempo fosse outra... algo do tipo: nossa... o tempo não passa!! Rs...

Ainda não sabemos por quanto tempo viveremos aqui... um ano, talvez... Aí bateu um "desesperinho": Nossa! Daqui a pouco a gente vai embora e ainda não conseguimos fazer metade das viagens que queríamos fazer, não conhecemos um monte de coisas que queremos conhecer... Vamos ter de correr!! Rs...

Tomara que a gente consiga conhecer pelo menos uma boa parte do que ainda falta por aqui... e que a gente aproveite bastante tudo de bacana que a cidade (e o País) tem nos oferecido! 

Fica também o aviso: quem quiser vir conhecer, e visitar a gente, melhor correr!! ;)

Beijos!
Tila. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

O milagre do vinagre

Precisei ficar fora da minha casota durante (muito) mais tempo do que eu imaginava... Parti para o Brasil no final de agosto, para passar meu aniversário, e só voltei para Lima no meio de novembro... por circunstâncias alheias à minha vontade, foram quase 3 meses longe de casa, rezando para que ela estivesse de pé quando eu voltasse...


De pé ela estava, mas...


Um dos maiores problemas que se enfrenta em Lima, no quesito "casa" é a questão da umidade. Se em Brasília eu precisava de um umidificador de ambiente, para aguentar a secura dos meses de agosto e setembro... em Lima eu tive de comprar um desumidificador! Maravilhas da vida intinerante que diplomatas e respectivos levam...

Bom... embora eu tenha ajuda para cuidar da casa, não posso dizer que ela cuida da casa "como se fosse sua"... e, sendo assim, depois de quase 3 meses fora, encontrei alguns probleminhas que me deixaram um tanto quanto aborrecida!

Em primeiro lugar, parece que dos 3 meses que eu fiquei fora, ela só resolveu limpar a casa na semana da minha volta e, claro, não estava nem perto de estar limpa... Não fosse ter de passar uma semana fazendo listas e listas de coisas (que não foram feitas na minha ausência) que precisavam ser feitar urgentemente - algo como limpar os livros que ficam na estante, e não só a estante! - tive de me preocupar com o mofo que estava dominando a Maison Bauer.

Mofo é um dos meus maiores problemas em Lima. Já fiz apelos desesperados às minhas amigas para descobrir o que fazer para acabar com ele... Porque o mofo dominou meus sapatos, minhas bolsas, meus cintos, minhas calças, meus casacos, as gravatas do marido, os casacos do marido... enfim... tá tudo dominado!!

Depois de um tempo eu percebi que os sapatos, cintos e bolsas que eu limpava, ficavam novamente dominados pelo mofo, depois de um tempo... ou seja, o bicho volta! Você acha que se livrou, e um tempo depois ele tá lá! Firme e forte!

Além disso, dá mofo no banheiro todo... nas paredes, no teto... fala sério!

Para ilustrar direito a questão da umidade: no inverno as toalhas têm de ser colocadas todos os dias na secadora de roupas, senão, quando a gente vai usar no dia seguinte (24 hs depois!) elas ainda estão molhadas!! Sacou o drama?!

Na minha volta para casa liguei o desumidificador no meu closet por uma noite. Tirei, nessa única noite, quase 3 litros de água! Na noite seguinte, mais 3 litros!

Bom... 3 meses fora... o marido fora de casa o dia todo... o closet trancado, sendo aberto só de manhã e de noite para ele trocar de roupa... dá pra imaginar o tamanho da desgraça, né? E não eram só as roupas... o ambiente tava cheirando a mofo!! Eca!

Passei uma semana tirando coisa mofada de dentro do closet pra limpar/lavar!! Sem contar o banheiro - porque, claro que a pessoa que trabalha na minha casa acha que só precisa limpar as coisas quando eu peço pra limpar... não basta VER que estão sujas... eu tenho de pedir pra limpar... e, como eu fiquei 3 meses fora, não tinha ninguém pra pedir pra limpar... logo... Desgraça total!

Desde que eu comecei essa cruzada contra os fungos malignos tentei diversas receitas caseiras para tentar me livrar do problema. E a única coisa que tem dado resultado é o vinagre.

Uso vinagre pra limpar os sapatos, bolsas e cintos (de couro)... uso pra lavar as roupas que ficam manchadas (vinagre junto com água fervente para deixar de molho)... uso vinagre nas paredes e no teto do banheiro!!

Parece que o vinagre tem alguma propriedade que, senão impede, faz com que o mofo demore mais a voltar, nas mesmas peças...

Claro que tem um inconveniente: quando usado em demasia você troca o cheiro de mofo pelo cheiro de vinagre... que também não é lá muito agradável... Vai ver é o cheiro do vinagre que impede o retorno do mofo maligno... sei lá!

Sendo assim, passei 15 dias em Lima... dois deles convivendo com o cheiro de mofo - até achar tudo que tava cheirando mal, e arejar o closet e os armários do banheiro - e os demais convivendo com o cheiro de vinagre...

Aff... ninguém merece!! Só espero que depois das Festas, quando voltar pra Lima novamente, o mofo tenha tirado umas férias de verão e não volte tão cedo a atazanar minha vida!

Beijos!
Tila.

PS: quem tiver alguma receita boa, e menos fedorenta, para me ajudar no combate ao mofo, por favor, manifeste-se!!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Deli France

Depois de um longo período de W.O. - estive fora de Lima por mais de um mês - voltei! É engraçado, mas quando eu não estou por aqui não tenho muita inspiração para escrever... rs... Inspiração e tempo, pois quando estou no Brasil é uma correria sem tamanho!!

Mas, enfim... agora que estou de volta, vamos às novidades!

Hoje eu resolvi escrever sobre um restaurante delicioso que tem por aqui! Eu sei que "restaurante delicioso", em Lima é quase um pleonasmo, mas essa dica é diferente: o restô é francês!

A Deli France é uma delicatessen que vende produtos com inspiração francesa. Tem diversas terrines, rillettes, queijos, quiches, pães (inclusive brioches e pain au chocolat!), bebidas, sobremesas.... Tudo delicioso!!

Agora, além da delicatessen os donos abriram um restaurante! Fica aqui em Miraflores (Av. Santa Cruz, 982 - tel. +51 221-7196), pertinho de casa, e é uma perdição!

O lugar é super bem decorado, e imediatamente você se sente em um bistrô francês! Só não é mais parecido porque aqui tem espaço! Inclusive nas mesas, que não se parecem com as mesas minúsculas dos bistrôs na França...rs... 

Mas além disso, é tudo muito lindo, decorado com cuidado, desde os móveis até a iluminação. A música é super agradável, o bar é muito bonito (decorado com caixas e caixas de vinhos e vinícolas famosas), e as fotos que decoram todas as paredes são incríveis!! Dá uma vontade doida de conhecer todos os cantinhos da França! Enfim... este é um daqueles restaurantes que a gente tem vontade de ir não apenas pelo cardápio, mas também pelo ambiente!





O cardápio é típico de bistrô/brasserie francês! Tem de tudo que você imaginar da culinária de lá... desde as saladas (de chèvre e niçoise, dentre outras), terrines e patês, passando pelos escargots, steak tartare (e de salmão, também), steak frites, magret de canard, confit de canard, até o esquisitíssimo andouillette (que eu não sei bem o que tá fazendo no cardápio, mas pelo visto, sendo um prato francês típico, eles incluíram...rs).




As sobremesas são as clássicas também - crème brullê, profiteroles, mousse au chocolat - mas eu, sinceramente, ainda não consegui chegar nelas... nas duas vezes em que fui ao restaurante, me fartei tanto nas refeições que não provei os docinhos... 

Dessa última vez que fomos - no sábado passado - o marido pediu um magret ao molho de laranja e mel (fez bonito!) e eu pedi uma salada de chèvre pequena e um steak tartar pequeno, como prato principal. Mas nós também saboreamos um delicioso patê de foie gras, e o couvert - que vem com uns pãezinhos deliciosos e irresistíveis! Então não dava mesmo para chegar na sobremesa! Rs... Antes que alguém atire a primeira pedra, a fome era negra, pois nosso almoço começou às quatro da tarde, embora nosso café da manhã tenha sido às sete da matina!! Fome de leão (mesmo!) combinada com um cardápio de dar água na boca... dá nisso mesmo: comilança!! Ah... e por esse mesmo motivo (muita fome) eu não tirei fotinho nenhuma dos pratos. Mas garanto que estavam lindos e deliciosos! Rs...

De toda forma, como as sobremesas ficaram de fora, estou pensando (seriamente) em ir lá um dia só para tomar um café e cair em tentação! Porque, sinceramente, com um cardápio daqueles vai ser difícil resistir às entradas e pratos, só para "se guardar" para as sobremesa!

Como um bom francês, eles também têm uma honesta carta de vinhos e espumantes - embora não seja super farta - e também servem em copas, o que pra mim é ótimo, considerando que meu cônjuge prefere la bière! 

O preço não o mantém entre os restaurantes mais em conta, mas ainda assim e muito mais em conta do que qualquer restaurante francês em São Paulo (e eu não estou falando do La Tambouille, tô falando desses que agora estão na moda, com inspiração em bistrôs, mesmo, e que cobram os olhos da cara! Rs...). Portanto, vale muito a pena!

Então, já sabe, quando vier à Lima (ou quiser indicar algum restô bacana pra um amigo que venha pra cá), pode indicar o Deli France (o Restaurante), sem medo de errar!

Beijos!
Tila.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Here comes the sun

Depois de passar um tempão reclamando aqui que o céu vivia branco, que não tinha sol, que eu estava entrando em depressão por falta de sol e céu azul, acho que o mínimo que eu deveria fazer era escrever um post para comemorar que o sol está voltando!!

E olha que os Fab Four tinham razão... me sinto "dentro" da música deles!! Cada dia que eu acordo aqui e vejo o sol lá fora me dá uma vontade de sair dançando!!

É incrível como tudo muda! A começar, claro, pelo humor da gente!! Aí nós vamos dando adeus aqueles tempos brancos e sem graça... vamos novamente enxergando cor por todos os lados... comemorando a luz do sol e um céu menos branco e mais azul!!

Há duas semanas eu e marido até arriscamos descer até o parque que tem aqui em frente de casa pra tomarmos um solzinho!! Afinal... quem não tem cão caça com gato... e como a praia aqui é inviável, saquei minhas cangas, pegamos nossos livros, uma sacola térmica com uma cervejinha e um chá gelado, e descemos pra tomar sol no parque! Delícia!! Sábado maravilhoso!!

Além disso as pessoas vão pra rua com mais alegria, os fins de semana ficam agitados... tudo lindo!!

E para comemorar que o sol está voltando a dar o ar da graça, tirei umas fotinhos das nuvens de Lima! As nuvens bonitas! Aquelas que vêm acompanhando o sol!! (não aquelas que só o escondem!! Risos...)







E também umas fotinhos da nossa mini farofa, no parque!





Beijos!!
Tila.

PS: ninguém curtiu o post anterior dos Days of thunder? Achei que ia dar o maior Ibope! Rs...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Days of Thunder

Acho que ainda não comentei isso aqui, mas a senhora que trabalha aqui em casa - minha assistente para assuntos domésticos - adoooora falar. Veja bem, ela gosta mesmo é de falar. Não precisa necessariamente ser uma conversa, um diálogo, ou algo do gênero. A nêga gosta mesmo é de discorrer sobre todo e qualquer assunto. 

Para dar uma ideia melhor do "quadro": quando ela começou a trabalhar aqui - ela e sua impressionante verborragia - eu me sentia meio mal... porque mais da metade das coisas que ela falava, por mais esforço que eu fizesse (e juro que eu fazia!), não conseguia acompanhar!! 

Afinal, eu estudei uns meses de espanhol (alguns anos antes de vir pra cá), conseguia me virar, mas não estava apta a compreender um discurso em velocidade de metralhadora. (Sabe? Aquela pessoa que começa a falar e não para mais... nunca mais! Pois é... ela é assim...) 

E quando eu cheguei aqui eu não tinha ainda o ouvido preparado... não entendia nada quando o povo falava correndo (ainda hoje não entendo 100%... ou eu "capto" o espírito da coisa, ou - se acho que é importante compreender tudo - peço gentilmente para falar mais devagar, pois afinal, aqui eu sou gringa e não entendo! Simples assim.).

Por isso me sentia meio mal porque eu não entendia metade do que ela dizia... E ela chegava falando, falando, falando...  me interrompia umas 48 vezes durante o dia pra perguntar alguma coisa (totalmente desnecessária, cerca de 97% das vezes), ou pra fazer algum comentário sobre qualquer assunto que fosse de interesse (dela)... Acho que ela devia pensar que, já que eu estava em casa, não estava trabalhando... claro! Que home office que nada... conceito meio novo... nem todo mundo entende...

Mas, enfim... depois que dividi toda essa minha angústia com meu irmão ele me deu um sábio conselho: "Aproveita pra treinar seu ouvido com ela, já que cerca de 80% do que ela falar não deve ser realmente relevante para o desenrolar do seu dia... você pode se dar ao luxo de não entender, e continuar "conversando", e treinando seu ouvido...".

Mudou minha vida. Sério. 

Ainda me irrito um pouco, especialmente quando estou concentrada fazendo alguma coisa e ela me interrompe pra perguntar qualquer coisa muito nada a ver... mas já não me desespero quando não entendo...

Bom, aí, na semana passada ela chegou aqui em casa me perguntando: "Sra. Hercília, a Sra. viu o schblébous ontem? Tem disso lá no Brasil??"

E eu: "Vi o quê Ivonne??"

- "O schblébous." (eu continuava sem entender)

- "Ivonne, não sei o que é schblébous..."

-"Aquilo que dá lá no céu, que fica estourando!"

- "Ah.... fogos... sei... tem no Brasil, sim! Mas é mais comum em festas juninas e no Ano Novo..."

-" Não Sra. Hercília, não são fogos, são schblébous!"

- "Ãn... então sei não Ivonne."

Passou. Fiz o almoço, o Fred chegou, nós almoçamos e sentamos no sofá pra ler o jornal. Daí o Fred me vira e manda: "Nossa, você viu o lance do TROVÃO de ontem?"

E eu: "Sério, meu... QUE lance do trovão?"

-" Ontem à tarde caiu um trovão aqui, você não lembra de ter escutado?"

-"Ah sim... ok... verdade, deu um trovão ontem à tarde. Mas e daí?"

- "E daí que o trovão tá em todos os jornais!"

Fato. O Fred traz três jornais pra ler em casa, e todos os três tinham notas (quando não reportagens) sobre o tal do trovão. 

E porque isso? Simplesmente porque o último trovão que rolou aqui em Lima - antes do que rolou semana passada - tinha sido em 1997. Isso: 1997! Há mais de 14 anos!

Moral da história: eu moro numa cidade em que trovão é notícia de jornal (jornais)! E motivo de espanto, e conversa, pra todo mundo!

Ah... e schblébous é trovão, em espanhol!

Beijos,
Tila.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Astrid & Gastón

Nunca tinha ido ao Astrid & Gastón - nem aqui no Peru (que é a matriz da casa), nem em qualquer outra parte do mundo. Já conhecia alguns dos restaurantes do Gastón (o Tanta e o Panchita aqui em Lima, o La Mar de São Paulo e o Chicha, em Arequipa), mas faltava conhecer o mais famoso deles!

Nós já tínhamos tentado jantar lá uma vez, quando um casal de amigos veio nos visitar, mas - ingênuos que somos - tentamos reservar na véspera, e a atendente disse que podíamos "tentar aparecer" depois das 22:30hs... porém, ainda assim não conseguimos um lugarzinho pra nós.

Numa outra ocasião um casal de amigos veio nos visitar (com a reserva já feita - bem mais espertos que a gente!), mas eu e Fred não pudemos comparecer porque tínhamos algum evento da embaixada, na mesma data.

Finalmente, nessa semana, fizemos nosso debut!

O restaurante fica numa casa antiga, aqui em Miraflores. Antiga mesmo. Paredes super grossas, piso (provavelmente original) de ardósias decoradas (super bonito!) e tábuas de madeira, também daquelas antigas, que faz barulho quando a gente pisa.

O bar é grande e agradável - até porque, muita gente deve ficar por ali esperando mesa! Além da casa original (que comporta o bar, o salão principal e a cozinha) eles expandiram seus salões para a casa ao lado, não tão charmosa, mas que é onde montaram a adega. As paredes são todas cobertas por garrafas de vinho, e aproveitaram para colocar por ali algumas mesas. Foi aí que ficamos. O ambiente é até mais agradável! Menos movimentado.

O menu não é tão extenso - cerca de 15 ou 20 pratos - mas o principal é o menu degustação, composto de 11 pratos. Preço: S./170,00 (cerca de R$ 102,00).

Pedimos uma sugestão ao maître, especialmente para sabermos se o menu seria demais para nós - 11 pratos, afinal, não é pra qualquer um... e não é mesmo! Ele sugeriu que reduzíssemos a quantidade de pratos. Acatamos. Nos serviriam 4 entradas e 2 pratos principais. Achei ótimo, até porque eu não queria abrir mão da sobremesa! :)

Enquanto aguardamos os prato tomamos nossas bebidinhas (todas com pisco, claro)! Eu tomei um coquetel de guanabana (uma fruta daqui bem parecida com graviola) e mandarina (tangerina), que tava uma delícia! Rolou também um pisco com maracujá, limão e manjeiricão (para nossa amiga) e um de pisco com frutas vermelhas e camu camu (outra típica daqui), pro Fred.

O couvert era composto por clássicos: manteiga, azeite de oliva e uma misturinha de azeite e temperos variados (delícia!). O toque diferente (e delicioso) ficou por conta de uma cesta de pães variados, dentre os quais você podia escolher pão de batata, de pimentão, de milho, de milho roxo (maiz morado - um tipo de milho que tem aqui), integral, de cereais, dentre outros... todos quentinhos e deliciosos!! O de batata é fantástico! E o de pimentão, embora eu não tenha provado, era liiiindo! Parecia um briochinho saído do forno!

Então vieram as entradas. Primeiro um prato com 3 tira gostos pequeninos - um amuse bouche, mesmo... só pra dar um gostinho. Uma cestinha recheada com um creme de carangueijo, camarão e um pouquinho de palta (o abacate que eles usam em várias comidas), um canudinho (também da mesma massinha finíssima com a qual fizeram as cestinhas de carangueijo) recheado com um tartar de atum delicioso, e uma causa limenha com carne moída e pimentão (esse eu não provei, porque não curto pimentão de jeito nenhum!).

A segunda entrada, que veio junto com estes tira-gostos, era um trio de ceviches. Clássico. Não poderia mesmo faltar! A respeito do ceviche, uma curiosidade. O ceviche que comi no La Mar (também do Gastón), em São Paulo, era 10 vezes mais picante do que o ceviche que estamos acostumados a comer aqui! Não sei se naquele dia o maître errou a mão na pimenta, mas, fato é, que o ceviche aqui em Lima (inclusive no restaurante do próprio Gastón) é muito menos picante do que o ceviche que comi no Brasil (em restaurante peruano! Do Gastón!).

A terceira entrada era uma causa limenha. A causa limenha  é como se fosse uma bolinha de purê de batata, bem temperadinha, que pode ser feita de diversos tipos de batatas (já que eles têm mais de 400 tipos de batata por aqui!). Além de causas de diferentes tipos de batata, elas vêm sempre com uma cobertura diferente. Essa era coberta com um creminho de camarão e um camarãozão. Até então tudo delicioso!

Vieram então as vieiras gratinadas com parmesão - quarta e última entrada. Assim como minha relação com o pimentão é conturbada, também tenho um problema com "conchas", então dei só uma provadinha... justo.

Sinceramente, a essa altura do campeonato nós já estávamos mega satisfeitos... e ainda faltavam os 2 pratos principais! Sério. Não dá pra encarar um menu de 11 pratos. Inviável! Embora tudo estivesse delicioso, e as porções fossem menores do que normalmente são... é muita comida! E eu já estava com receio de não conseguir chegar até a sobremesa... (mulher é fogo, né?! Rs...)

O primeira prato principal era um atum envolvo em uma crosta de pimenta - leve, não muito picante - que veio no ponto perfeito! Do jeito que eu gosto, pelo menos, ou seja, com o meio um pouco cru. O atum estava delicioso, mas o acompanhamento estava fantástico! Era um purê de batata doce (camote) com laranja e mel. Incrível! E olha que eu nem curto tanto mel! 
O equilíbrio perfeito com a crosta de pimenta do atum... maravilhoso!

Devo confessar que depois do atum nós fraquejamos. Pedimos para cancelar o segundo prato, se fosse possível... mas não era. Entre entradas e os prato houve um pequeno intervalo... mas  assim como as entradas foram servidas todas juntas (exceto pelas conchas, que vieram um pouco depois - justamente pelo fato de serem quentes), quando serviram o atum já estavam terminando de preparar o segundo prato, então, provamos ele também!

O segundo prato era um cabrito cozido no leite. O cozimento deve ter começado umas 12 horas antes de servir o prato, pois ele estava delicioso, literalmente se desmanchando! Muito bom!!

Depois dessa insana farra gastronômica, é claro que a gente não conseguiu pedir sobremesa. Diante de nossas caras de desconsolo (ok... da minha cara de desconsolo!) o garçom nos animou confirmando que com o café viriam uns docinhos! :) 

Dito e feito! Deliciosos! Macarrons (bons, mas já provei melhores), mini alfajores (deliciosos), gelatina de lúcuma (não provei) e trufas de chocolate (deliciosas)!

Jantar delicioso!!

Cabe, ainda, um elogio especial para o serviço que estava impecável! Os garçons, ao perceberem que falávamos português, arranhavam algumas palavras no nosso idioma para nos agradar. Além disso, na hora de servirem os pratos, o garçom que os apresentou o fez em um português quase perfeito! Achei super simpático!

E, confirmando a questão da acessibilidade às boas experiências gastronômicas, que rola aqui no Peru, este jantar (naquele que a crítica considera o melhor restaurante do País), para três pessoas, custou cerca de R$ 250,00... Sério.

Minha humilde avaliação pessoal é de que, embora seja um restaurante delicioso, com ambiente agradável e serviço impecável, não se trata do melhor restaurante de Lima. Talvez porque eu só tenha ido uma vez e ainda não tenha tido tempo de provar outras delícias... ou talvez porque realmente tenha apreciado mais outras delícias, de outros restaurantes... Mas é incontestavelmente um restaurante ótimo, que vale a visita, inclusive porque este já é uma instituição limenha.

E aí? Se animou? 

Beijos,
Tila.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A capital gastronômica da América Latina

Depois de quase um ano morando em Lima, nós finalmente fomos conhecer o Astrid & Gastón! Mas antes de fazer o posto sobre o jantar em si, vou falar um pouquinho da questão da gastronomia aqui no Peru.

Para que não está tão familiarizado com esse mundinho gastronômico (falou a entendida!), o Astrid & Gastón é o primeiro, dos muitos, restaurantes do Gastón Acurio. Ele é um chef peruano que teve a ideia de promover a gastronomia  do País (não só por aqui, mas em todo o mundo). A ideia era organizar a cena gastronômica peruana, profissionalizando e investindo na promoção desse "patrimônio cultural".

Aqui no Peru, como vocês já devem ter percebido pelos meus posts, come-se muito bem! Sério. O arroz que os caras fazem, é sempre uma delícia! E é arroz, meu! Daí pra diante todo o resto é delicioso. Sabe aquele receio que a gente tem, quando está com fome e escolhe um lugar para almoçar, sem saber ao certo se o lugar é bom, sem ter uma recomendação específica? Sem saber se a gente tá entrando numa roubada daquelas? Pois é, aqui esse receio não existe... 

Depois de viver um tempo por aqui posso garantir que ninguém precisa ficar meio apreensico na hora de entrar num restaurante que não conhece, que não foi indicado por um conhecido ou por algum guia. Tá com fome? Gostou da "cara" do lugar? Pode entrar e comer que eu garanto que você vai comer bem.

Aqui difícil é encontrar um lugar em que a comida seja ruim. Pode ser mais ou menos sofisticada, claro. E, é óbvio que se você tem alguma restrição alimentar é melhor se informar sobre qual o tipo de comida que se serve no lugar - afinal, não adianta entrar num japa se você não gosta de peixe cru, pois provavelmente você não vai gostar da refeição (muito embora, seja possível que você encontre algo no cardápio que te apeteça...), assim como, se você não gosta de peixes e frutos do mar, não adianta entrar num restaurante que só serve isso!

Mas, enfim... fato é que eu ainda não comi mal por aqui. Mesmos naquelas cadeias de restaurante populares, em que eu já me arrisquei - especialmente quando chegamos aqui e não conhecíamos nada - me dei bem. Já comi em quilo, e tava tudo certo! Também já almoçamos no meio de uma ilha, no Lago Titicaca (2 horas de viagem de barco), numa casa super simples (de um "local") - pois não tinha restaurante - em que a sopinha e o peixe com arroz estavam deliciosos!

Bom, daí o Gastón teve uma brilhante ideia: já que o povo aqui tem o dom de cozinhar bem, pois por mais simples que seja a comida, ela é saborosa... e considerando que há vários ingredientes diferentes, típicos daqui... bem como existe uma culinária diversificada dependendo da região do País em que você está... por que não promover a gastronomia peruana? Transformá-la em uma atração, num "patrimônio cultural" nacional? E assim foi feito.

Lima, especialmente, é uma cidade que - comparada com o resto do País - não tem tantos atrativos turísticos. O que acontecia era que todo mundo que vinha visitar o Peru - Machu Picchu, especialmente - tinha de passar por Lima, mas só "pingava" aqui para fazer a conexão do vôo e seguir para Cusco. 

Com o desenvolvimento e a propaganda da gastronomia peruana, hoje em dia o povo vem pra cá e fica pelo menos um ou dois dias na cidade, nem que seja apenas para fazer o "turismo gastronômico". 

O calendário turístico de Lima já incorporou até um festival gastronômico anual - o Mistura - que faz um sucesso incrível aqui. São 10 dias de uma feira gastronômica, em que você pode comer muito barato (barato sério... por R$ 5,00 você compra o cupom para doces e/ou meia porção e por R$ 7,00 você compra o cupom de porção inteira), experimentando vários ingredientes diferentes e pratos típicos das mais diversas regiões do País. É muito bacana! Além disso, há palestras de chefs e pessoas envolvidas com a gastronomia, e também convidados internacionais (nesse ano veio o Alex Atala e a Mara Salles daí do Brasil) que vêm falar para os interessados no assunto.

E tudo isso graças a ideia - e o esforço - do Gastón e de todos que aceitaram o desafio, e trabalharam para a profissionalização da gastronomia por aqui - outros chefs de sucesso também colaboraram bastante, como o Rafael Osterling e o Pedro Schiaffino que têm restaurantes muito bons, também!

Para se ter uma ideia do que o Gastón "causou", o cara aqui é como o Silvio Santos: se ele sair candidato à presidência, é barbada. Ele ganha sem a menor sombra de dúvida!

Ele teve uma ideia simples, que exigiu esforço, claro... mas que deu certo. Lima, hoje, é considerada a capital gastronômica da América Latina. 

Daí você pensa: "Ah.... mas São Paulo tem muito mais restaurantes. Essa história aí é pura promoção... propaganda enganosa!".

Claro que é promoção. O cara teve uma super ideia, investiu nisso e deu certo! Mas e daí?! Fato é que, embora São Paulo tenha mais restaurantes (afinal, é uma cidade bem maior do que Lima!), a culinária em Lima é muito mais acessível do que em São Paulo. Será que isso não a torna, de fato, a capital gastronômica da América Latina?! Porque aqui você não precisa deixar as calças para comer num restaurante renomado ou em qualquer outro lugar que tenha uma culinária deliciosa. 

Pelo contrário, com R$ 60,00 um casal come muito bem num ótimo restaurante japonês! Com R$ 120,00 um casal janta no melhor restaurante de massas de Lima (com vinho, tá?)! E ontem no melhor restaurante do País - o Astrid & Gastón (do próprio), jantei com o Fred e uma amiga, por cerca de R$ 250,00. Sério. Deve ser não só o melhor restaurante do País - segundo a crítica gastronômica (eu ainda não tenho condições de avaliar...rs), mas, possivelmente, seguindo esse raciocínio, o mais caro do País. E um jantar, com direito a menu degustação, saiu por cerca de R$ 80,00 por pessoa! É ou não incrível?

Tenho sido muito crítica em relação aos preços de São Paulo, mas eu sinceramente acho um absurdo pagar R$ 70,00 para comer um buffet de saladas e massas, com uma água mineral, só porque o Ráscal é descoladinho. Ou pagar R$ 50,00 para comer um galeto com salada no Galetto's. Isso porque eu não tô falando dos restaurantes caros, badalados, ou "gastronômicos", ok?! Tô falando de restaurante que tem em praça de alimentação de shopping!

Outro dia li uma reportagem de um "restauranteur" dizendo que ele cobra caro porque os ingredientes são ótimos e o serviço é fantástico. Ok. Mas precisa mesmo ser tão caro?! Depois de morar aqui, e ver que é possível fazer uma culinária de extrema qualidade, com serviço também impecável, apresentação perfeita e preços acessíveis, me desculpe, mas aquele Sr.  deve estar de brincadeira!

Enfim, eu realmente acho que aqui é a capital gastronômica da América Latina (o que dificulta imensamente meus planos de emagrecer), afinal, além de deliciosa, feita com cuidado e com o intuito de agradar o comensal, é acessível. Você consegue provar muita coisa diferente e saborosa, sem precisar gastar horrores. Torna-se um programa ótimo! Vale muito a pena conhecer!

Que o digam todos os nossos amigos e familiares que vieram nos visitar nesse ano! :)

Beijos,
Tila.

PS: no próximo post eu falo de como foi nosso jantar de ontem! Prometo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Craque em fazer malas

Nem todo mundo sabe, mas eu me preparei durante algum tempo para levar essa vida de expatriada que eu vivo hoje! 

Primeiro eu fiz quase um ano de terapia antes de me casar e mudar pra Brasília - que também foi um ótimo estágio, para nos acostumarmos a morar longe da família, da maioria dos amigos, num lugar diferentes, etc...

Durante todo esse tempo de "preparação" para nossa saída do País, me acostumei com a ideia de ir morar no Congo. Todo mundo abria uns olhos deeeesse tamanho quando eu dizia que ia pra lá! Alguns me perguntavam, com um certo receio (vai que eu começava a me lamuriar, né?!) se eu realmente tava tranquila de ir morar lá... 

Na verdade, eu não tinha a menor ideia se ia mesmo parar no Congo! Tudo isso tinha um propósito terapêutico: se eu consegui me acostumar com a ideia de ir morar no Congo, preparada para abdicar de uma série de coisas em prol da aventura de morar no Congo... ótimo!  Isso significa que eu estaria bem com a ideia de ir para qualquer outro lugar! Afinal, o que poderia ser pior do que ir morar no Congo?? (eu já tinha vetado qualquer lugar com guerra civil, então Iraque e Afeganistão não contam, ok?!)

Não dá pra explicar porque eu tive essa ideia mirabolante, mas o fato é que funcionava... em determinado momento até a Arábia Saudita entrou na roda e eu me peguei, corajosamente, aceitando ir pra lá! Veja bem... na Arábia Saudita mulher não sai de casa desacompanhada de um homem! Mulher tem permissão para dirigir! (nesse caso, nem com homem a tiracolo!) E eu topei ir pra lá... ou seja, a terapia funcionou mesmo!!

No fim das contas tudo deu certo e a gente veio parar aqui em Lima - sem qualquer aviso prévio ou preparação psicológica, que também não foram necessários! E estamos super bem aqui! Até continuar trabalhando, à distância eu consegui!! Ou seja, não dava pra ser mais tranquila a acomodação no novo lar!

E além de tudo isso Lima fica tão pertinho do Brasil!!! Isso faz uma diferença na hora de matar a saudade!! Acho que esse talvez seja o melhor dentre todos os benefícios que esse posto nos trouxe! Cinco horas de avião e a gente tá em São Paulo!

Aproveitando essa facilidade, fiz minhas contas e percebi que nesse ano eu passei mais tempo em São Paulo, do que quando eu morava em Brasília! Naquela época eu ia pra São Paulo uma vez por mês, geralmente, mas ficava uns 4 dias (emendava um fim de semana com 2 ou 3 dias de trabalho no escritório). E aqui, sempre que eu vou é pra ficar no mínimo 10 dias! Ou seja, em 2011 eu já acumulei mais horas/SP por ano, do que nos anos em que morei em Brasília! 

Isso significa também outras coisas: atendo melhor o pessoal do escritório (é só gritar por socorro que eu apareço!), aproveito as coisas que tenho saudades do Brasil (consigo até assistir aos filmes da Mostra de Cinema, que tá rolando justamente nessa semana e na próxima!), e especialmente mato saudade de todo mundo que ficou por lá!

Ah... e é claro que isso também significa que eu fiquei expert em fazer malas! Sim, significa!!!

A propósito, ainda nem comecei a minha! Fui!

Beijos!
Tila.

PS: só para deixar registrado, adoro ir pro Brasil (como todos puderam perceber), mas não tenho como negar que meu coração fica apertadinho de saudade do marido!! Faz uma semana que eu já tô com uma dorzinha no peito de deixar ele aqui...