sexta-feira, 29 de julho de 2011

Matando saudades

Toda vez que eu volto a São Paulo aproveito pra matar saudades de um monte de coisas! 


Em primeiro lugar mato saudades da minha família, dos meus cachórros e da minha casa! Todo mundo fica carente e me quer em casa o tempo todo! É sempre uma ginástica na agenda! Rs... E pra piorar meu irmão já não mora com meus pais e trabalha num lugar em que ainda não conhecem a Lei Áurea... Mas, ainda que não consiga vê-lo tanto quanto eu gostaria, dá pra aproveitar bastante a companhia dele! Acho que quando a gente tem pouco tempo e muita saudade gasta o tempo com mais qualidade! 

Também mato saudades do pessoal que trabalha comigo. Quando estou em casa trabalho muito tempo sozinha. Por um lado me acostumei (depois de 3 anos!), e rendo mais porque não tem telefone, e-mail nem convite para um cafezinho (e, vamos combinar, raras são as vezes que me animo a fazer um "balde" de café pra tomar sozinha!), consegui desenvolver uma disciplina particular para trabalhar e tal. Mas ainda acho muito ruim trabalhar só! Já tive dias (vários!) em que passei horas sem trocar uma palavra com ninguém! Consegue imaginar o que é trabalhar por umas 8 horas sem falar uma palavra?! Pois é... Acho que é justamente por isso que nas minhas passagens por São Paulo acabo dando uma "agitada" no ambiente... rs... nossa sala no escritório é uma animação só! A gente fala tanta (mas taaaaanta!) besteira e dá tanta risada que daria (fácil!) pra escrever um outro Blog! Rs... O bom é que depois a gente tem muita coisa pra contar e várias lembranças pra matar a saudade por um tempão!

Esse cabelão significa que a foto tá meio velha?
Significa. Mas é a única que eu tenho aqui!
E tem os encontros com as "azamigas" que eu adoooro! Mato saudade das amigas que mesmo na vida atribulada de São Paulo arrumam um tempinho na agenda pra se encontrar comigo! Ou mesmo pra bater papo pelo telefone quando o tempo é curto! 


Como diz minha amiga Camila, amizade é via de mão dupla, as duas partes têm sempre que fazer um esforço pra se encontrar e manter a amizade firme e forte! (ainda mais na vida agitada que rola em São Paulo) Não adianta um só ficar insistindo, chamar, convidar, tentar armar os encontros, se a outra pessoa nunca pode! Depois que saí de São Paulo e fui morar em Brasília - e agora mais ainda, morando mais longe - comecei a dar mais valor a isso e fico sempre muito feliz quando percebo que minhas amigas dão sempre um jeito de nos encontrarmos quando estou aqui! Também estou sempre tentando  manter contato com todo mundo, mandando e-mail, conversando pelo Skype e pelo MSN... enfim, amizade tem de ser cuidada!


Fotinho do último encontro, antológico, com "azamiga"!
(e o amigo, infiltrado!)

Aproveito para matar saudade de outras "coisitchas" mais!

Mato saudade de pão de queijo, de guaraná, de biscoito de chocolate (Bono! Adoro!) e até de salada de folhas verdes!! Mato saudade de falar "Obrigada!", no restaurante, e de não precisar explicar três vezes como se escreve meu sobrenome... Mato saudades de ouvir as rádios que eu gosto, no carro! Mato saudades do sol! E do céu azul!!! (em Lima o sol anda raro... e o céu nunca é tão azul como aqui no Brasil...) 


Sério... as pessoas não têm ideia de quanto uma coisa simples, às vezes até banal, do nosso dia a dia... faz falta!  Aliás, eu percebi isso quando me mudei pra Brasília e comecei a ter à minha disposição coisas simples, das quais eu sequer sentia falta em São Paulo, de tão acostumada que estava, vivendo sem elas... 

Por exemplo, em Brasília eu tinha céu! Muito céu! Da minha casa, da rua, de todo lugar! Em São Paulo ver o céu a toda hora é mais complicado...  Eu via bastante céu da minha casa, mas não morava na cidade de São Paulo... Então, céu lindo mesmo só no fim de semana.

Em Brasília eu tinha tempo! Podia ler um livro no fim do dia! Sério: eu podia pegar um livro da estante, sentar na poltrona da sala, por volta das 19hs, e ler, enquanto esperava o Fred voltar do trabalho! Também podia decidir, às 18:50hs, ir no cinema! Na sessão das 19:30hs, daquele mesmo dia! Em São Paulo não dá pra fazer isso... você só consegue ir no cinema se planejar com horas de antecedência! Se quiser companhia então, são dias de antecedência - incompatibilidade de agendas é um problema sério aqui em terras paulistanas!

Mas eu sequer sentia falta dessas coisas, pois simplesmente não sabia nem que poderia tê-las! Não é muito louco, isso? Como já diz o poema: a gente se acostuma, mas não devia. Se acostuma à poluição, à falta de tempo, à fazer tudo correndo, à não aproveitar as coisas simples da vida! E elas estão aí, todo dia... e deixamos passar... 

Sei que parece mensagem de livro de auto ajuda (que, a propósito, eu não gosto), mas a verdade é que a gente podia ser tão mais feliz se conseguisse aproveitar as coisas simples  do nosso dia a dia... Mesmo morando numa cidade grande, tendo a vida super atribulada, se a gente conseguisse parar um pouquinho que fosse, uns minutinhos, pra aproveitar algo que a gente normalmente deixa passar sem se dar conta... Olhar o céu, curtir uma música legal, conversar com alguém com quem a gente não fala há um tempão (se não for pessoalmente, por telefone, por e-mail, ou por qualquer tecnologia moderna!), falar besteira com amigos e dar umas boas risadas!! 


Fato é que a gente não precisa mudar de país, nem de cidade, pra dar valor e começar a aproveitar essas coisas simples! Basta prestar atenção e se esforçar um pouquinho! E depois que a gente começa, acostuma e não para mais!!

E aí? Que tal começar a olhar com mais calma as coisas mais simples, que estão à sua volta? Aposto que seu dia ficará bem mais divertido!

Beijos!
Tila.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Visitante Inesperado

Ainda não comentei aqui, mas o inverno chegou em Lima. Outro dia falei pro Fred que eu já não estava mais aguentando ficar tantos dias sem ver o sol!

Infelizmente já pudemos constatar que tudo aquilo que me falaram quando nós chegamos aqui é verdade... o sol não aparece mesmo! Os dias não são tão frios, mas tem dia que cai uma micro garoa o dia inteirinho! Micro garoa, porque não qualifica como garoa... as gotas são ainda mais finas... parece aquele chuveirinho que tem na orla do Rio pra galera se refrescar... ou nas filas dos parques de diversões mais modernos, sabe? 

Só que esse respingo o dia inteiro é muito chato! Como disse uma colega que mora aqui, "quando começa o inverno a gente coloca a bota no pé e não tira mais! Fica uns seis meses com ela..." Medo!! Não é chuva pra sair com guarda chuva (o que significa que ela pode durar o dia todo...), mas é aquela chuvinha chata, que te molha, te faz ter de fechar os olhos para caminhar, sabe? Porque senão fica aquele pinga pinga nos seus olhos... é bem irritante... Sem contar que faz aumentar a sensação de frio...

Aqui não faz 8 ou 10 graus como tem feito em São Paulo, mas os 18 graus daqui são os mais friorentos que eu já vi! Por conta dessa umidade - e não se esqueçam que eu moro debruçada no mar, ou seja, umidade master o dia e a noite inteira! - a gente parece que tá meio molhado o dia todo... E aí o frio fica esquisito... parece que estamos com os ossos molhados!

Sem contar que o sol não nos dá o prazer de sua companhia... há mais de um mês que a gente já não tem mais um diazinho de descanso - daqueles que no começo de maio apareciam, para quebrar um pouco o cinza da semana toda! Não... agora não... são dias cinzas, dias brancos, mas não temos mais dias coloridos...

A neblina tem dia que está mais baixa, tem dia que está mais alta - semana passada teve um dia que deu até pra ver o horizonte daqui da nossa sala!! E hoje amanheceu tudo branco... eu não tirei fotos (falha minha), mas daqui da janela do meu escritório a gente não conseguia ver os prédios altos que ficam há 150 metros do nosso! Olha só como é minha vista, e como são próximos os prédios que a gente não conseguia ver:



Além da neblina, a mini garoa ficou caindo a manhã inteira... e eu numa preguiiiiça de existiiiiir...

À tarde o tempo foi melhorando, a neblina foi acabando, a goteira foi parando... e qual não foi minha surpresa quando começo a ver daqui da minha janela uns tímidos raios de sol!! Corri pra varanda para ver o que estava acontecendo, e ele tava ali... meio tímido, brigando com as nuvens para ver se conseguia um espacinho!!




Aproveitei para fazer um chazinho e ficar na varanda, curtindo o raro momento, nesse inverno gelado!


No fim, o sol até que brigou, foi valente, mas não conseguiu vencer as nuvens teimosas...





Mas, valeu pelo minutinhos de beleza que pude presenciar! Só que deu uma saudaaaaade do verão, quando a gente tinha espetáculo todo dia!! ;)

Beijos!
Tila.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Eu vejo flores em você!

Apesar de ter nascido em apartamento vivi 20 anos da minha vida em casa. Muito bom viver em casa! A gente tem jardim e tem espaço pra brincar - no meu caso eu morava num bairro que dava pra brincar na rua, andar de bicicleta, e inventar mil atividades ao ar livre, o que foi uma delícia! Saudades das minhas brincadeiras na rua!

Minha casa sempre foi muito florida, pois minha mãe sempre fez muita questão de colocar o dedo verde dela pra trabalhar. Tanto que meu irmão sempre tirava uma com a cara dela, dizendo que o sonho dela era cercar um pedaço da mata atlântica com bicos de papagaio (uma planta vermelhona, bonita, que - pra quem não conhece - de vez em quando usam na decoração natalina....).

Enfim... sempre gostei das florzinhas, até por influência da minha mãe, claro! Tinha meu vasinho de (uma) flor em cima da minha mesa no escritório, e sempre pegava uma margarida do nosso jardim e levava para enfeitar minha mesa de trabalho, e transformar aquele ambiente tão formal em algo um pouco mais doce. Para ilustrar, aqui estão umas fotinhos que eu recuperei nos meus arquivos, das margaridas lá de casa! Nas fotos a Lulu está cuidando delas e se divertindo com a minha mãe:



E aí eu me mudei, fui morar em Brasília, em um apartamento e perdi meu jardim colorido. Verdade seja dita, o apê ficava numa quadra linda, e bem na frente do janelão que tínhamos na sala estava uma árvore enorme, maravilhosa e cheia de passarinhos! Todas as janelas do apartamento davam pra frente do prédio, ou seja, de onde eu estivesse podia apreciar as árvores e as flores que também coloriam nossa quadra! E nós acordávamos com passarinhos cantando, e até um pica-pau que fazia um barulhinho engraçado, todo dia de manhã!

Mesmo morando em apartamento resolvi que minha casa ia ter sempre flores coloridas! Eu acho que tudo fica mais bonito com cores - a ponto do marido às vezes torcer um pouco o nariz pra colcha azul royal que eu quero colocar em cima da cama, e ter de segurar um pouco meu ímpeto em matéria de decoração! Mas enfim... acho cor super legal e as flores, além da beleza que trazem para nossa casa, também dão mais vida!

Em Brasília além das flores que eu espalhava pela casa fiz um jardim de orquídeas, que eu mantinha em um parapeito grande na tal da janelona da sala! Tinha orquídeas de vários tipos e cada vez que uma delas floria era uma alegria! O Fred completou meu jardim particular com um Bonsai lindo que ele me deu no meu primeiro aniversário no Planalto Central! 

Mas quando fomos removidos de Brasília, seria impossível carregar minhas plantinhas - dois meses num container seria inviável... As orquídeas eu doei para minhas amigas quando vim pra cá, e hoje elas devem estar enfeitando as casotas delas - a Isabelle até me manda emails dizendo quais estão florindo! E o Bonsai eu levei pra São Paulo, para que a minha mãe continue cuidando dele pra mim! Aqui uma fotinho que apesar de bem escura, mostra minhas orquídeas coloridas e a árvore que ficava bem na frente da nossa janela! E outra do meu Bonsai, ainda em Brasília:





E aqui em Lima, apesar de não ter jardim e morar em apartamento, na frente do prédio fica a orla, que é cheia de jardins bonitos e bem cuidados! Descobri que certas flores resistem à maresia, ao vento e à umidade inclemente que temos por aqui, e já enchi minha varanda de vasos - gerânios coloridos, uma folhagem grande que dá umas flores brancas bem bonitas, e umas margaridinhas com miolo roxinho!

E como meu marido sabe que eu adooooro chegar numa casa colorida, dessa vez, quando voltei de São Paulo, encontrei minha casa tooooda florida! Linda! E mais lindo ainda é ele, não é?! Adorei a surpresa!



E aí? Se anima e coloca um vasinho aí na sua sala! ;)

Beijos,
Tila.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Minhas Listas: Livros - jan/jun 2011

Sou uma leitora apaixonada. Meus livros, ao lado das viagens, são minha paixão! Não vivo sem, pelo menos, um livro de cabeceira (e acabo levando-o da cabeceira para qualquer outro lugar em que saiba que vou ter um tempinho para leitura). Meu sonho é ter uma casa com uma biblioteca linda, daquela que a gente pode passar o dia todo lendo sem parar! Felizmente já contamos aqui em casa com uma quantidade razoável de livros e temos umas estantes bem lindas, cheinha com eles!! Olha só:



Quem me conhece sabe da minha compulsão por livros - vide o projeto "Biblioteca do Exílio", iniciado em Brasília, com a compra de mais de 60 livros para ler quando fosse removida para o exterior (tudo isso por medo de ir parar em "lugar algum na África", com acesso restrito a livros! Rs...).

Sou tão viciada em leitura que hoje em dia simplesmente não consigo dormir sem ler algumas páginas. Ainda que vá me deitar de madrugada, voltando de uma baladinha, preciso ler algumas páginas senão não consigo dormir! Criei o hábito há mais de 15 anos, quando deixei de ter televisão no meu quarto, e desde então virou um vício absoluto! Mesmo depois de me casar, e ter de abrir mão da minha resistência a ter uma TV no quarto (já que o marido adora televisão), mantenho o hábito da leitura - claro que eu tive de desenvolver uma habilidade peculiar para conseguir me concentrar na leitura, mesmo com a televisão  "falando" no meu pé de ouvido, mas consegui! (já estou tão craque que consigo ler até em outros idiomas, mesmo com a TV falando do meu lado! Rs...)

Por tudo isso, com muita tristeza, li há alguns dias a notícia de que, no Brasil, a média de livros lidos por ano/per capita, aumentou nos últimos anos... Explico: aumentou para 4,7 livros por pessoa, por ano!

Claro que eu não tenho pretensões de aumentar esse número para patamares razoáveis, mas resolvi escrever esse post, para listar os livros que eu li nesse primeiro semestre de 2011 e assim, quem sabe, incentivar a leitura de alguns títulos (ou quaisquer títulos!). E também porque, como aquele personagem do Nick Hornby (em "Alta fidelidade") eu adoro listas, e nada melhor do que uma lista de livros lidos! ;)

Sei que várias pessoas que leem meu blog já curte a leitura, e talvez essa minha listinha possa ajudar na escolha do(s) próximo(s) título(s)! Senão, no pior dos mundo, serve para organizar e publicar a minha listinha de livros lidos! (a propósito, há anos faço listas dos livros lidos... minha ideia agora é agregar uns comentários a cada um deles, para ajudar minha memória! Rs..).

Assim sendo, aqui está minha lista de livros lidos no primeiro semestre de 2011 (começando pelos que eu mais gostei, ok?): 

  • A trilogia Millenium ("Os homens que não amavam as mulheres" eu li em dezembro do ano passado, nesse ano li "A menina que brincava com fogo" e "A rainha do castelo de ar") - recomendo! Muito legal! Não dá pra largar o livro!
  • "Os Catadores de Conchas" - de certa forma é um clássico... pelo menos era um clássico lá em casa, pois minha mãe sempre quis que eu lesse e, por qualquer razão, até então não tinha me interessado... É um romance muito bom! Não tem como não adorar a narradora, sua história e sua forma de escrever! Adorei!
  • "Um dia" - muito booom!!! Adorei!! A ideia do livro é fantástica - descrever o dia em que  duas pessoas se conhecem e depois o que se passa nesta mesma data, na vida destes dois, ao longo de 20 anos. Muito bem escrito - me lembrou um pouco Nick Hornby, que eu também adoro. Outro que não dá pra largar! E quando acaba, deixa saudade...
  • "Pequena Abelha" - adorei! Triste demais, mas contado com certa leveza, que faz a gente não sentir de forma tão pesada a história... Vale a pena!
  • "Invisible" - eu adoro Paul Auster, então sou um pouco suspeita (apesar de que o último que havia lido dele achei bem ruinzinho..."Viagens no Scriptorium"). Mas esse eu gostei bastante! É perturbador... tenho certeza que vai ter gente que vai achar um pouco de mau gosto... mas eu achei bem bacana!
  • "Memórias póstumas de Brás Cubas" - bom... é um Machado.... e eu gosto de Machado. Gosto da sua ironia fina, das situações esdrúxulas, da crítica social. Não é o que eu mais gosto dele, mas vale a pena!
  • "Os caçadores de pipas"- outro que, de certa forma, é um clássico (ainda que, moderno). Não vi o filme, porque não tinha lido o livro. Estava há anos na estante e ainda não tinha lido. Gostei muito - embora durante praticamente o livro todo tenha tido vontade de esganar o narrador!
  • "O dossiê Pelicano" - já tinha lido vários outros títulos do Jonh Grisham (estilo romances de tribunais/estórias de advogados) e apesar deste já ter sido filmado, ainda não conhecia a história. É legal, mas não é o melhor (nem o pior del). Se tiver de ler um dele, que seja "Tempo de Matar", que pra mim é o melhor!
  • Da minha série "Conhecendo o Peru através de Mário Vargas Llosa": "Travessuras da menina má"; "Quem matou Palomino Molero" e "Os chefes". De todos que já li dele, "Tia Júlia e o escrivinhador" foi o que mais gostei. Mas, "A menina má" é bacana e "Os chefes" traz várias historinhas em Miraflores, portanto dá pra conhecer bem, pelo menos, o meu bairro! "Palomino" é mais triste, mas traça um perfil interessante das pessoas mais simples e do interior do país.
  • "A viúva Clicquot"- se você se interessa pela história de bebida, vale a pena (até pra saber que a mulher foi mesmo uma mulher de fibra!), senão, fica muito cansativo.
  • "Que loucura!"- louco demais, até pra um Woody Allen. Não curti.
  • "A cozinha açafrão"- me interessei pelo tema, por ter a ver com o oriente, mas ficou um pouco aquém das minhas expectativas. É bom, mas não é super legal!
  • "Balzac e a Costureirinha Chinesa" - outro que estava há bastante tempo na estante e eu ainda não tinha lido... gostei! Eu curto o jeito de escrever, meio lento - não é descritivo, é lento... diferente! Rs... E esse autor é chinês, mas já li outros japoneses que têm o mesmo estilo (também gosto também de livros de autores orientais porque trazem detalhes super interessantes da cultura deles). 
  • "A loja de pianos da rive gauche" - eu adoro pianos e adoro Paris... meio que não tinha como não gostar desse livro. É bem interessante, mas tem partes em que o achei meio cansativo. Então, a menos que você adore pianos e adore Paris, melhor passar...
  • "O casamento" - eu gosto de Nélson Rodrigues... mas precisa saber quem você está lendo para gostar desse livro... melhor ler "Pouco Amor não é Amor", se você ainda não leu Nélson Rodrigues... começar por esse pode lhe impressionar demais.  
  • "J'accuse!" - a menos que você se interesse por história, ou pela vida do Emile Zola, não vale a pena. Cansativo demais.

Bom, essa é a minha listinha do primeiro semestre... não era tudo que eu queria ter lido  (com a correria da mudança, adaptação, etc... não deu pra ler o quanto eu queria, mas deu pra me divertir bastante com o que li!). De toda forma, espero que consiga inspirar boas leituras para vocês! 

Beijos!
Tila.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diário de Viagem - Parte VI - Vale Sagrado e Machu Picchu

Em Cusco nós ficamos 4 dias. Foi ótimo! Deu para passearmos bastante, sem muita correria - muito embora a ida até Machu Picchu tenha sido um pouquinho cansativa...

No primeiro dia a gente visitou a cidade de Cusco, e no dia seguinte saímos para um City Tour, com direito a ida até alguns sítios arqueológicos bem bacanas, que ficam por ali por perto  (em duas horas visitamos os 3 programados).

Antes de sairmos da cidade nós fomos conhecer o Templo do Sol (Koricancha - ao lado), que era o mais rico da cidade - com paredes de ouro e revestidas com pedras preciosas. Claro que ele foi devidamente saqueado pelos simpáticos espanhóis que tomaram a cidade. De toda forma, vale a pena a visita, e é interessante ver como o templo fica incrustrado no meio da cidade.

Depois de visitarmos o templo saímos de Cusco em direção aos demais lugares sagrados. O primeiro deles foi Sacsayhuamán (carinhosamente aplidado pela galera lá de Cusco de "sexywoman", dada a similaridade na pronúncia). O lugar é lindo - e ficou ainda mais bonito com o solzinho gostoso de fim de tarde que tava rolando quando nós chegamos. O guia nos disse que, apesar da fama de se tratar de um posto militar, na verdade seria um local sagrado, onde eram realizadas festas. 

A "fama" de posto militar se deu porque o sítio fica um pouco afastado da cidade - poderia ser um dos caminhos de entrada e, por isso, estrategicamente teria sido montado um posto importante para sua guarda. O interessante é que a construção é basicamente de muros que vão ziguezagueando, serpenteando, o que seria a "praça" ou esplanada principal. Essa poderia ser o local das festas, ou o local das batalhas, dependendo da explicação/função adotada por você. Esse zigue-zague (impressionante) foi construído de uma forma que, se o adversário viesse atacando, quando chegasse perto da muralha, necessariamente se colocaria em uma posição em que um de seus flancos (nossa, tô muito Duque de Caxias!) ficaria descoberto. E aí, babau invasor! Balada na casa dos Incas!

Diz a lenda, também, que no caso de uma invasão à Cusco, todos seus habitantes poderiam se abrigar na fortaleza. Havia uma série de passagens subterrâneas, reservatórios grandes de água (essas torres não resistiram - muitas pedras foram levadas pelos espanhóis para Cusco, para construção de igrejas e outras obras). Ainda assim as ruínas estão muito bem preservadas, e é possível observar com clareza os detalhes característicos da arquitetura Inca - portais, formas trapezoidais, encaixe perfeito das pedras...







Não sei se já comentei, mas a cidade de Cusco tem o formato de um Puma (que assim como a serpente e o condor, era um animal sagrado para os Incas). Sacsayhuamán é a cabeça do Puma. O lugar também é enorme e no dia 24/06 uma das maiores festas de Cusco é realizada ali. Para quem não sabe, o dia 24/06 é bastante celebrado. É o dia da Festa do Sol - que era um dos deuses mais importante para os Incas. Daqui a pouco eu vou falar de Machu Picchu e eu explico melhor porque 24/06, ok?

Saindo de lá nós fomos para Tambomachay, que é um templo para adoração da água. Os Incas, espertinhos como só, entendiam que a água é uma força vital e essencial para os homens, daí a construção do templo, para homenagear a divindade da qual, no fim das contas, nós dependemos. Eles também têm vários templos para a Mamacocha - vulgo, Mãe Natureza - espalhados por toda região. Muito querida para eles a Mãe Natureza, e eu acho que a gente devia aprender um pouquinho com eles sobre essas divindades e o respeito que tinham por elas.

Só que nós chegamos lá no Templo das Águas com o sol baixando e o frio pegando!! Aconselho a vocês que façam esse tour pela manhã, porque encarar a friaca que a gente encarou, subindo ribanceira... ninguém merece. Passamos também por Puca Pucara, mas dessa vez a galera nem quis sair da van... rs... é um forte, em proporções bem menores que Sacsayhuamán, que servia mais como um posto de controle. 

E, por fim, nós passamos por Qenko, que também era um local de cerimônias em homenagem ao Sol, à Lua e às Estrelas. Nós descemos, tava o maior friiiio... e já era noite, com estrelas no céu (muito embora esse fosse o mote do templo, a ideia era chegar com dia claro...). Passamos por um labirinto entre as pedras, meio subterrâneo - confesso que eu tava morrendo de medo porque tava tudo escuro e agente tentando se virar com as luzinhas dos celulares... manja? Sugiro, mesmo, fazer o tour de dia.

Bom, no dia seguinte nós seguimos cedinho para o tour pelo Vale Sagrado. Aí sim! Lindo, lindo, lindo!! Os puristas que me perdoem, mas eu gostei mais do Vale Sagrado do que de Machu Picchu! (#prontofalei!)

No Vale Sagrado corre o rio Urubamba - que é vital para a subsistência das cidadezinhas, pois dele depende o plantio e o sustento da galera que vive por ali - e a paisagem é sensacional! Ao longo do Vale há uma série de cidadezinhas, além das ruínas Incas, algumas delas impressionantes como Ollantaytambo. A propósito, o passeio é lindo, mas esteja preparado. Muitas, mas muitas, subidas! Punk! Sério. Mas vale a pena (e olha que eu sou o ser mais preguiçoso que existe na face da terra - moro de frente pro mar e não tenho o dom de descer o elevador pra ir caminhar! Sacou o naipe da preguiça?!).

Bom... voltando ao Vale Sagrado. Uma fotinhos para vocês entenderem do que eu tô falando!


Lindo, né? 

Nossa primeira parada foi na ruína de Pisac. A cidade começou como um posto militar, pois dali a galera tinha uma vista privilegiada - enxergavam todas as entradas do Vale. Na cidade encontramos as famosas terrazas, para plantio dos mais variados tipos de alimento (nesse lugar, em razão da altitude e inclinação - a cidade ficava num morro - eles conseguiram desenvolver cultivos de plantas em altitudes distintas e variáveis em até 400m) e os templos do sol e da lua (sempre presentes nas cidades incas).

As terrazas




Saindo de lá nós descemos até o povoado de Pisac, onde hoje há uma cidadezinha, com sua feirinha - era um domingo - para umas comprinhas básicas. Ali que o Fred comprou nosso jogo de xadrez com peças representando os chefes incas e eu comprei um colarzinho fofo com uma pedra linda - tudo uma pechincha (15 reais cada um dos regalos).

Seguimos viagem e paramos para almoçar em um hotel numa vila no meio do nada... Inacreditável a qualidade do hotel! Lindíssimo! Super chique! E no meio do nada!! Na verdade o Vale Sagrado é caminho para Machu Picchu... então é "relativamente" no meio do nada, se considerarmos que aquele é o caminho mais famoso do Peru. E uma galera com espírito empreendedor monta uns hotéis bacanudos para os gringos (incluindo nós) que estão a caminho de Machu Picchu. O pior é que eu não me lembro o nome do hotel! Mas vou ver se descolo isso na agência de viagens, caso alguém precise de uma indicação bacana!

Depois do almoço seguimos para Ollantaytambo. Essa foi a cidade Inca que eu mais curti. É realmente impressionante! A cidade ainda é habitada e os moradores fazem questão de preservar as construções e as tradições (especialmente em relação a plantio e colheita de alimentos). E aqui que a subida pega... os degraus são gigantes e irregulares... tem de ter muita força de vontade! Nós chegamos na entrada da cidade com o sol indo embora e um vento fortíssimo! Frio. Mas nada que cinco minutinhos de subida não esquentassem!

Então, começamos a subir (nessa primeira foto dá pra ver a parte da cidade que ainda hoje é habitada).














Ainda não era nem o meio do caminho... 


Na foto ao lado, atrás do Fred, é possível ver que na montanha oposta à que estávamos subindo os incas construíram alguns depósitos de alimentos. 
Aquelas construções preservavam os alimentos devido à altitude - funcionavam como uma verdadeira "geladeira". Mais uma demonstração de como eles dominavam técnicas avançadas de cultivo (e, nesse caso, guarda) de alimentos.

ÊÊÊ! Chegamos!


Sinceramente, não entendo como eles conseguiam levar tantas pedras, e desse tamanho, lá pra cima! O guia dizia que nós não estamos habituados e desconhecemos esse tipo de esforço humano, mas que na época dos incas era normal, pois eles incorporavam isso na rotina deles, etc... etc... etc... Mas eu realmente duvido! Não é possível! Comecei a dar mais valor às teses dos extraterrestres e coisas do gênero... afinal, eu só tive de levar o corpinho e quase morri!!!  Imagina carregar esse monte de pedregulho morro acima!?!? Surreal!

(de fato nosso guia, que tem raízes ali na região, e que tá acostumadasso a essas pirambeiras, parecia que tava passeando na Lagoa Rodrigo de Freitas, apreciando a paisagem, sem deixar cair uma gota de suor, e conseguindo falar conosco enquanto subia!!! Acho que eu só recuperei o dom da fala quando já tava na van...)


Descendo... não pensa que é moleza, viu? Descer esses degraus gigantes e irregulares além de dar um medão de cair láááá de cima, dá uma dor bizarrinha no joelho!! 








Voltamos pra Cusco no fim do dia e eu estava, é claro, o pó da rabiola!!








No dia seguinte seguimos cedo para Machu Picchu. Dessa vez nós optamos por fazer a viagem de trem - 4 horas pelo Vale Sagrado. É um pouco cansativo mas é uma boa opção para quem não quer ficar saindo e entrando em hotel (outra opção é ir até um povoado no Vale Sagrado e dormir por lá, ou dormir em Águas Calientes, que é o povoado no "pé" de Machu Picchu). O trem sai de Cusco por volta das 8hs da manhã, a gente chega em Águas Calientes um pouco depois do meio-dia, sobe a montanha em um ônibus e chega em Machu Picchu por volta das 12:40hs. A visita tem duração de mais ou menos 2 horas, descemos de ônibus, almoçamos, e voltamos pra Cusco em um trem que sai por volta das 16:30hs.


Outra opção é fazer a trilha inca a pé, mas essa, pra mim, tá fora de cogitação - por mais que os guias locais digam que é tranquilo, que basta um pouquinho de condicionamento físico, tô muito fora de ficar subindo e descendo montanha com mochilão nas costas, dormindo em barraca, passando friaca! Claro que tem um monte de gente que vai - inclusive uns tiozinhos que têm um pique inacreditável! -, então, depende mesmo do espírito aventureiro, do preparo físico (que no meu caso é inexistente) e da força de vontade. Achei meio esquisito também ver a galera saindo (saem de um povoado no meio do Vale Sagrado, onde rola uma das paradas do trem, então pudemos ver um grupo saindo), porque vão vários "locais" carregadíssimos - mochilas e apetrechos, carregando nas costas comida, tendas, bebidas, etc...etc.. pros gringos que estão fazendo a caminhada. Quer dizer, você leva uma mochila com suas roupas e junto com o grupo vai um bando de trabalhadores braçais, carregando as "regalias" da galera... sei lá, achei meio deprê...


Enfim, dessa vez fomos de trem e, talvez, na próxima a gente resolva dormir em Águas Calientes ou em alguma cidade do Vale (por exemplo, Ollantaytambo). Para quem pretende entrar em Machu Picchu para ver o sol nascer, ou para subir a outra montanha (que fica na frente da cidade - a mais alta que aparece no fundo da fotografia clássica da entrada da cidade), é essencial dormir em Águas Calientes. A primeira subida do ônibus é por volta das 5:30hs da manhã, e quem quiser fazer um desses programas, é esse o bumba que tem de pegar! (especialmente para subir no outro morro, pois ali só podem entrar até 400 pessoas por dia - em Machu Picchu acho que são até 2 mil por dia).


Chegando lá, depois do trem e depois do ônibus, começamos a subir a pirambeira, para chegar à entrada principal da cidade (depois dali, ufa, só descida pelo meio da cidade).


Machu Picchu é o sítio arqueológico inca mais bem preservado. Não foi descoberto pelos espanhóis e, portanto, não foi saqueado. As construções estão praticamente todas em sua forma original. Um explorador, há exatamente 100 anos, descobriu a cidade por acaso. Estava num povoado próximo e ouviu dizer que tinha um sítio inca não descoberto nas redondezas e por uma módica quantia de 1 sol - o equivalente a R$ 0,60 - convenceu um molequinho da cidade a levá-lo até a tal da cidade perdida.




No centro da cidade ficava uma praça grande, onde eram realizadas as maiores festas e cerimônias - que pudessem ser realizadas fora dos templos. A acústica da praça é super boa! Mega ecooooooo!




Chegando lá me perguntei (pela enésima vez): porque os incas gostavam tanto de construir suas cidades lá no alto? Beeeeem no alto? Pois pra mim não faz o maior sentido ficar carregando um monte de pedras gigantescas ladeira acima (bem acima)!! Explicação: para ficar mais próximos aos seus deuses... ok. Como futebol, política e religião não se discute... Mas olha o tamanho das pedras, mano!!




E olha como era no alto... beeeem no alto! (by the way Machu Picchu é o nome do morro onde fica a cidade, e significa velha montanha... o nome original da cidade ninguém conhece, afinal, não ficou ninguém pra contar a história).




Em Machu Picchu eles têm alguns templos, e o mais legal é o templo em homenagem ao Sol. É o templo das 3 janelas, pois em cada solstício o sol entra de um jeito diferente por elas - e dependendo do jeito que o sol batia eles conseguiam, até, determinar como seria a colheita daquele ano. Ah... essa é a única construção da cidade em formato circular.








E não é que lá em cima a gente encontrou umas simpáticas llamas passeando?! Aqui temos uma na praça central e outra no meio das casinhas...






Outro lance deles com os solstícios: a maior festa dos Incas era no solstício de inverno (seria 21/06, mas comemoram hoje no dia 24/06 - a Festa do Sol!). O solstício de inverno é o dia em que o sol fica mais longe da Terra... assim, é sempre o dia mais curto do ano, e nesse dia os Incas acreditavam que o Sol estava abandonando o povo. Daí a ideia de fazer uma mega balada,  assim, o Sol percebia como os Incas o adoravam, e voltava pra pertinho deles. E dava certo! Todo ano! E até hoje a tradição se mantém! Por isso dia 24/06 rola a maior festa do ano em Cusco!


Esse ano vai ter uma festona também para comemorar os 100 anos do descobrimento de Machu Picchu... mas tem uma galera lá de Cusco não tá tão feliz com a festa, pois acredita que não deveriam comemorar tanto, por conta da exploração do lugar, etc...etc... Particularmente eu achei tudo muito bem preservado, um esquema bacana de limitação de número de turistas  muita organização para entrar, ficar, sair do sítio, além de conservação do local, mesmo. Aliás, a gente achava que chegando no meio do dia seria impossível passear com tranquilidade, ou tirar foto sem que 80 pessoas saíssem no fundo... mas nos surpreendemos, pois realmente não foi isso que aconteceu - visitamos a cidade numa terça-feira, e estava muito mais tranquila do que Ollantaytambo, que visitamos no domingo.


Além disso, me soa um pouco hipócrita essa história, se pensarmos que a cidade de Cusco - e todos os povoados ali por perto - só sobrevivem graças ao turismo. Acho importante manter o controle da quantidade de pessoas que entram e saem de Machu Picchu, assim como é importante manter em boas condições todos os sítios arqueológicos, preservando a história do povo, mas daí a protestar contra a "exploração" causada pelo turismo... meio mentalidade de terceiro mundo para mim...


Mas, enfim, o passeio foi super bacana! Cada lugar mais lindo que o outro, e eu recomendo, a todos que vierem aqui, conhecerem esses lugares pelos quais passamos! Mas se não tiver tempo suficiente (nós viajamos por 10 dias), melhor escolher um ou outro lugar, porque ninguém merece ter de fazer tudo na correria! Os lugares são incríveis, e por isso mesmo é melhor ir com tempo para poder apreciá-los!

















Espero que vocês tenham curtido a viagem com a gente!

Beijos,
Tila.